COMO SÃO AS ESCOLAS CANADENSES.

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QUEBRANDO O GELO:

Chegamos em Victoria no auge das férias escolares, que vai de Julho a Setembro. Porém, a ansiedade para praticar inglês era tão  grande que  fomos em busca de atividades que  nos possibilitassem contato com os falantes da língua inglesa. Já havíamos lido sobre os Community Centres, que são clubes  bem estruturados nos quais  é possível praticar atividades físicas diversas, assistir a palestras, fazer cursos nas mais diferentes áreas ou simplesmente relaxar. É possível  pagar mensalmente para frequentar esses clubes, como sócios, ou simplesmente pagar diárias ou um curso específico. Existem vários  deles pela cidade e, durante as férias, são oferecidos os summer camp que podem ser comparados  às nossas colônias de férias.

A variedade de atividades oferecidas é enorme, fica difícil  de escolher.  Há desde trabalhos manuais como artes e bijouterias a oficinas de cinema, cursos de computação gráfica e edição de fotos e filmes, atividades esportivas incluindo hockey, natação, dança, visitas a parques , museus, praias e muito mais. Tudo isso dividido por faixa etária e é possível optar por participar apenas alguns dias ou a  semana inteira. Percebemos que, como as férias lá são bem longas, há toda uma estrutura que possibilita aos pais continuarem  trabalhando sem terem que se preocupar tanto com o que fazer com as crianças pois, babás e empregadas lá é algo quase inexistente (aliás, não conhecemos nenhuma família que tivesse alguma delas).

Então, enquanto as aulas não começavam, nossas filhas frequentaram algumas semanas no summer camp do Oak Bay Centre e se divertiram muito, além de terem conhecido boa parte da cidade durante  as excursões, fizeram amigos e começaram a praticar o inglês.

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Primeiro dia de summer camp: todas os dias as crianças eram entregues em uma sala onde recebiam as instruções de como seria o dia de atividades delas.

As atividades iniciavam por volta das 8:30 e às 16:30 pegávamos as crianças. Todos os dias eles faziam o registro do horário de entrada e saída das crianças, com assinatura do responsável. No cadastro delas ficam todos os dados de contato, caso seja necessário falar com os pais. No primeiro dia, os pais recebem um cronograma das atividades que as crianças farão durante a semana e orientações como, por exemplo, o dia que foram ao parque aquático veio aviso para levar roupa de banho, toalha, etc. Todos levam seus próprios lanches e existe uma preocupação enorme com produtos alergênicos como leite e castanhas em geral. Sempre vem um aviso pedindo para que não compartilhem o lanche para evitar acidentes.

Apesar de vermos que tudo é muito bem estruturado e seguro, a sensação de deixar suas filhas em um lugar desconhecido e, pior ainda, sabendo apenas algumas palavras em inglês, é muito ruim. Passaram muitas coisas em nossas cabeças: e se elas se perderem? E se quando formos pegá-las e elas não estiverem lá, vamos procurar ajuda onde? E se não conseguirem se comunicar bem e ficarem isoladas? Lançamos mão da tecnologia! Elas ficaram com um celular com os nossos telefones gravados e ainda colocamos na bolsa de cada uma nossos números, endereço e fizemos as duas decorarem todos telefones e algumas frases básicas em inglês. Não sei se isso resolveria alguma coisa mas, pelo menos ajudou a controlar nossa ansiedade. Mas, graças a Deus, nunca aconteceu nada e elas tiraram de letra essa primeira fase de adaptação no Canadá. E crianças são mesmo umas esponjinhas! Aprendem rápido e, o melhor: sem sotaque!

Essas semanas de summer camp foram importantes na adaptação delas. Ajudou a  diminuir  um pouco da ansiedade ao perceberem que crianças são parecidas no mundo todo e que conseguiriam se comunicar com os novos colegas, que eles  não seriam um bicho de sete cabeças. A insegurança delas (e nossa) era bastante compreensível, afinal, além de mudar de país teriam que  começar a frequentar uma nova escola e em outra língua. Mudar de escola no próprio país já é difícil, imagina, então, nessa situação?

 
UM POUCO SOBRE AS ESCOLAS CANADENSES:

Uma grande vantagem é que o Canadá é um país multicultural e se orgulha dessa característica. É muito comum ter em uma sala de aula duas ou mais nacionalidades e a grande maioria dos estrangeiros são asiáticos. Brincávamos que lá o difícil era achar um canadense. Então, quando as meninas chegaram na escola, elas não foram  uma novidade para ninguém . O fato de não serem alvo de curiosidade ajuda muito nessa fase inicial pois, elas não se sentiram visadas o que, em muitos casos, dificulta a adaptação.

 

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Victoria West Elementary School

 

Diferentemente do Brasil, o ano letivo no Canadá começa em setembro e vai até junho. Há um recesso de duas semanas nas festas de fim de ano – Winter Break –  e uma semana em março, o Spring break. Lá, cada província e território tem seu próprio sistema educacional, não tem um órgão federal como aqui no Brasil. Mas, de modo geral, elas atuam de forma mais ou menos padronizadas ao longo do país. O estudo é obrigatório para as crianças a partir de 6 anos de idade. Antes disso, elas frequentam o Kindergarden. As escolas são divididas de acordo com a idade das crianças sendo o Elementary School para crianças de 6 a 10 anos (Grade 1 a Grade 5), Middle School para os alunos de 11 a 14 anos (Grade 6  a Grade 8) e High School de 14 a 18 anos (Grade 9 a Grade 12).  No  Elementary e Middle School, os alunos ficam na escola em tempo integral.  Em geral, as vagas são distribuídas de acordo com o endereço residencial da família, ou seja, normalmente as crianças estudam perto de casa.

 

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Corredores Vic West Elementary School

O estudo canadense é subsidiado pelo governo portanto, os estudantes têm gastos apenas com alimentação, materiais de uso individual ( lápis, caderno, etc) e, em alguns casos, com transporte.  As escolas públicas são de alto nível estrutural e de ensino também. Mais de noventa por cento dos canadenses estudam nas escolas públicas e as particulares são caríssimas.

 
COMO FOI NOSSA EXPERIÊNCIA:
 

Nosso dia em Victoria começava bem cedo. Por volta das 6:30 da manhã já estava todo mundo se preparando para ir para escola. Apesar das escolas serem próximas de casa, precisávamos pegar ônibus pois, não tínhamos carro lá. Nossas filhas estudavam em escolas diferentes: uma estava na Elementary School e a outra na Middle School. As aulas iniciavam por volta das 8:30 da manhã e terminavam entre 14:30, 15:00 hs.

 
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A rotina da escola é bem interessante. Normalmente, as crianças chegam e, no caso da Middle School, vão direto para o ginásio onde o diretor ou coordenador dará as instruções gerais do dia. Depois todos irão para a sala de aula já sabendo o cronograma das atividades do dia.  Com as crianças da Elementary School essas instruções são passadas dentro da sala de aula. As aulas não são o tempo todo expositivas como aqui no Brasil. Muitas vezes, o professor dava o tema contextualizado com a matéria e as crianças se dirigiam para a biblioteca para fazerem pesquisas, montarem maquetes ou ensaiar uma apresentação sobre o tema proposto. Raramente se leva trabalho para casa e quando acontece, é bem simples e curto.  Os alunos são incentivados o tempo todo a trabalharem em grupo, a ler, ouvir histórias e utiliza-se muito desenho e textos durante as aulas.

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Biblioteca

Além das aulas tradicionais de Matemática, História, Geografia, Ciências ,Inglês, Francês e Educação Física, havia as oficinas de música, culinária e marcenaria. Todas essas fazem parte do currículo básico da escola que oferecia também as aulas extracurriculares (opcionais) de instrumentos de sopro, coral, instrumentos de corda e bateria.

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Hora do Almoço

As crianças são estimuladas , desde cedo, à autonomia, ao engajamento com a escola e com  a sociedade, desenvolvendo valores sociais como equidade, responsabilidade social, companheirismo, respeito ao ser humano e à natureza, entre outros. Um dos projetos trabalhados na escola durante nosso período lá que mais nos chamou a atenção foi o denominado “Roots of Empathy” , proposto para a turma da Middle School. Ele consistia em observar um bebê de 3 meses de idade, que era levado à escola uma vez por mês pela mãe, e entender como os bebês percebem o mundo, porque e como reagem Às adversidades e registrar  o desenvolvimento sensorial e motor , tudo isso com foco em desenvolver a empatia nos estudantes.

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Primeiro dia de Aula – Rockheights Middle School

 

No primeiro dia de aula, levamos nossas filhas diretamente aos diretores que já as aguardavam. Nos levaram para conhecer todas as dependências da escola e , finalmente, a tão esperada sala de aula. Os professores foram atenciosos e acolhedores, o que ajudou muito. As meninas se sentiram bem recebidas e, apesar da diferença da língua, aos poucos foram se comunicando, entrosando e dentro de pouco tempo já  estavam enturmadas. Vale ressaltar que Bibi, 11 anos, já tinha uma noção de inglês, havia estudado na Cultura Inglesa por 4 semestres e Clara, 8 anos, por 2 semestres. É Claro que, em muitos momentos não entendiam muita coisa, compreendiam por gestos ou pelo contexto da situação mas, o desenvolvimento delas foi muito rápido e bem mais simples do que imaginávamos. Clara teve um suporte que é a dado aos estudantes internacionais e aos imigrantes que consiste em um acompanhamento particular, mais ou menos duas vezes por mês, no qual uma professora de inglês faz alguns jogos e brincadeiras visando o ensino da língua. E tudo isso dentro do horário da aula e incluso no valor que pagamos pelo High School Internacional Program.

Elas adoraram o estilo das aulas canadenses: sem muita aula expositiva, método de avaliação mais tranquilo e também as diferentes possibilidades que puderam explorar. Aprenderam violino, ukulele, flauta, um pouco de marcenaria e francês. Além disso, por morarmos em uma área com grande risco de terremotos e tsunamis, sempre havia treinamento sobre como agir no caso de ocorrer uma dessas catástrofes, treinamento para situações de incêndio, palestras  de orientação sobre  como agir em caso de  bullying nas redes sociais e crimes na internet.

Chamou-nos muito a atenção como os pais são engajados no dia a dia da escola. Havia o Conselho de Pais, que se reunia uma vez ao mês para ajudar a resolver os problemas da escola, a organizar as festas e eventos, arrecadar fundos para excursões e shows, etc. Sempre no início do ano letivo, há o churrasco de boas vindas (ok, bem diferente do nosso conceito de churrasco) onde pais e alunos se mobilizam para montar as mesas, organizar as brincadeiras, fazer e distribuir as comidas e , no fim da festa, todo mundo ajuda a recolher, a limpar e colocar tudo de volta ao lugar.É uma responsabilidade da comunidade escolar, nada é terceirizado. E todo esse movimento se repetia nas demais festas e encontros que acompanhamos na escola, como  Halloween e Recital de Natal.

O intercâmbio cultural nos faz refletir sobre muitas coisas, inclusive, o tipo  de ensino que desejamos para nossas filhas. Ficamos muito felizes por termos tido essa oportunidade de proporcionar a elas essa experiência que, temos certeza, nunca lhes sairá da memória.

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Despedida da turma

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  1. Que legal!!!
    Gostaria de saber como vocês organizaram a viagem! via agencia? qual? ou contato direto com as escolas? Temos 2 filhos de 9 e 11 anos, e tenho interesse nesse tipo de intercambio… vivenciar e interagir com a vida local!!!

    1. Olá, Ana Cris! Nós mesmo organizamos nossa viagem. O contato com as escolas foi feito através da Thaís Mascarenhas (http://canadainesquecivel.com.br/). Caso tenha interesse em saber como foram nossos preparativos, dê uma olhada nos posts https://viagemeintercambioemfamilia.wordpress.com/2017/07/14/british-columbia-therell-go/ e https://viagemeintercambioemfamilia.wordpress.com/2017/07/26/nossos-primeiros-dias-em-victoria/. Caso tenha mais alguma dúvida não exite em nos perguntar. Abraços e boa viagem!

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