SANTIAGO E MENDOZA: UMA VIAGEM, DOIS DESTINOS

Categorias América do Sul

 

Quer melhor desculpa pra viajar do que conhecer vinícolas ? Como amamos viagens e vinhos, resolvemos, após onze anos da nossa primeira visita ao Chile, retornar a Santiago para visitarmos algumas vinícolas que não  nos foi possível conhecer da primeira vez.  Já que a temática da viagem era vinhos….. porque não darmos uma esticadinha até Mendoza, na Argentina?

Hora de começar a parte que adoro: ler sobre os principais pontos turísticos, organizar o roteiro dia a dia, reservar hotéis e restaurantes mas, dessa vez foi um pouquinho diferente. Como já falei aqui nesse post- British Columbia, There We’ll Go! ! – logo em seguida resolvemos  que faríamos um intercâmbio com toda a família para o Canadá. Imagina a loucura: organizar duas viagens para o exterior com diferença de um mês entre elas sendo que uma duraria 7 meses!!!??? Respira fundo, e vamos lá!

Nossa sorte é que leio tudo que vejo sobre viagens, acompanho grupos no facebook e blogueiros  no Instagram, o que nos ajudou muito a organizar a viagem para o Chile e Argentina. Facilitou também, já conhecermos um pouco Santiago e  ter em mente o que faríamos dessa vez. Como somos fãs dos  Nós no Chile e do Viaje na Viagem corremos lá para mais dicas e detalhes sobre Santiago e Mendoza.

Após analisar as possibilidades de passeios, visitas a vinícolas e preços de bilhetes para Mendoza, nossa viagem se dividiu em três etapas: ficamos 3 dias em Santiago, pegamos um vôo para Mendoza, onde ficamos por mais 4 dias e, retornando a Santiago encontraríamos um casal de amigos para curtirmos a cidade e arredores por mais 4 dias.

Nessa primeira parte da viagem ficamos hospedados no DoubleTree by Hilton. Ótimo hotel com excelente localização: próximo a muitos pontos de interesse em Santiago como o Sky Costanera, Parque Centenário e a excelentes restaurantes dos bairros La Condes e Vitacura.

De Belo Horizonte para Santiago:

Infelizmente, Belo Horizonte não tem voo direto para Santiago. Temos que ir para  o Rio de Janeiro ou São Paulo primeiro, o que aumenta em mais ou menos duas horas nossa viagem.  Chegamos em Santiago por volta das 20:30 min e Hector da  Turismo VSM Chile já nos aguardava.

É possível fazer o trajeto aeroporto / hotel de ônibus ou táxi  mas, como chegamos tarde e faríamos outros passeios com Hector e Mônica, preferimos incluir o transfer no pacote. Aliás, indicamos muito a Turismo VSM Chile  : foram super atenciosos conosco, cumpriram todos horários e o preço deles saiu bem mais em conta do que outros valores cotados. Fizemos toda negociação por whatsapp e Mônica ia nos passando informações sobre o tempo em Santiago, como estavam as condições das  estradas para o Valle Nevado e   até preços de luvas e gorros  nas lojas de Santiago ela nos informou rsrsr.

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Um Carmenere no restaurante Liguria para comemorar nossa chegada.

Primeiro Dia: Revendo o Centro Histórico e Descobrindo Novas Atrações.

 Em nossa primeira visita ao Chile já havíamos conhecido o Cerro San Cristobal, o mais alto e famoso cerro de Santiago. Dessa vez,  fomos ao Cerro Santa Lucia que fica bem próximo ás demais atrações do centro antigo de Santiago.É simples chegar até lá: pegue o metrô e desça na estação Santa Lucia ( L1). Foi nossa primeira parada do dia e fizemos isso de propósito pois,  para visitá-lo bem você terá que subir muitos degraus.

 Trata-se de um parque urbano, com uma fonte na entrada principal, uma praça com bancos e  pequenos trailers de lanche no seu segundo nível e, no terceiro nível, está o mirante. Do segundo nível para o terceiro, pessoas com dificuldade de locomoção e crianças terão dificuldades porque o acesso ao mirante se  dá através de uma escada de pedras escorregadias e, em alguns trechos, ela é bem íngreme e estreita.

É uma atração gratuita e dali têm-se uma boa vista da cidade, se o famoso smog  chileno ( mistura de fumaça com nevoeiro) não estiver tão intenso.

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A visita ao Cerro Santa Lucia lhe propiciará lindas fotos mas prepare-se: a subida é um pouco cansativa.

 
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Do ponto mais alto do Cerro Santa Lucia pode-se observar duas grandes características de Santiago: a beleza dos Andes e a constante nuvem de poluição que cobre a cidade.

De lá, demos uma passada pelo centro da cidade só  para fazer o câmbio e visitar alguns lugares que não conhecíamos ainda, como o Museu de Arte Pré Colombiana e o Mercado Central.

Programe-se para ir ao centro no dia em que houver a troca da  guarda. Ela ocorre  na frente do Palácio de La Moneda em dias alternados e, dependendo do mês,  nos dias pares ou ímpares. Normalmente fica bem cheio então, se quiser apreciar todos os detalhes, chegue com um pouco de antecedência.

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Passear pelo centro histórico é muito gostoso. Visite a Catedral Metropolitana, que fica na Plaza de Armas, e  o museu de Arte Pré-Colombiana . Com uma rápida visita,  você já conhecerá um pouco da história dos povos da América do Sul.  Dentro do Museu tem um gostoso café e, caso  esteja precisando de banheiros, aproveite que aqui  eles são bem limpos.

 

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Catedral Metropolitana

Do museu fomos andando até o Mercado Central. Lá você encontrará dezenas de opções gastronômicas, com destaque para os frutos do mar. Estávamos curiosos para conhecer a famosa Centolla, uma espécie de caranguejo gigante, cheio de espinhos que é uma iguaria bastante valorizada no Chile. Quem experimentou jura que é delicioso!

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A famosa Centolla

 

Tem também o Pisco Sour, drinque feito com Pisco ( similar à cachaça, porém derivada da uva, com alto teor alcoólico) limão e clara de ovo. Isso mesmo, clara de ovo!! Mas é bem saboroso! Sua origem é motivo de controvérsia  entre peruanos e chilenos. Quer uma sugestão? Apenas aprecie, deixe que eles cheguem -ou não- a alguma conclusão.

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Pisco Sour, um drinque também muito famoso no Chile, é um excelente acompanhamento para degustar a diversidade de frutos do mar á disposição no Mercado Central.

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Mercado Central: um bom lugar para se conhecer a gastronomia local

 

 Ainda á pé, fomos para o Patio Bellavista, um complexo de restaurantes, lojas de artesanato e bares. Chegamos já no meio da tarde e o local estava relativamente vazio, o que é raro. Fomos ao Barrica 94.  que tem bons vinhos e uma delícia de ambiente. Queríamos provar um prato tipicamente chileno e nos indicaram o pastel de choclo. Trata-se de uma massa de milho, parecida com a da pamonha, levemente adocicada com recheios que podem variar e é servido extremamente quente. O nosso foi de carne seca, azeitonas e uva passa. Gostamos muito de milho (choclo) portanto, apreciamos o prato. Não diríamos que é maravilhoso mas, como acreditamos que sempre é preciso experimentar comidas regionais, valeu a degustação!

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Pastel de Choclo: prato típico à base de milho com recheio de carne.

A dois quarteirões do Patio Bellavista, está uma das mais famosas  casas de Pablo Neruda: La Chascona.  Casa construída em homenagem ao seu amor secreto com Matilde Urrutia, leva esse nome em referência à vasta cabeleira da amada.  Neruda participou ativamente da construção da casa, desde a planta até sua decoração, que é sui generis.

A Casa Museo La Chascona possui um sistema de áudio guia disponível em 5 idiomas: português, francês, inglês, alemão e espanhol.  Andar pela casa e ver cada detalhe que vai sendo ricamente relatado no áudio gera uma sensação muito interessante: é como se voltássemos no tempo, como se estivéssemos presenciando o que aconteceu naquele lugar.  Fizemos a visita no finalzinho da tarde e foi muito agradável. Não é necessária prévia reserva e a entrada custa 7.000 pesos chilenos ( aproximadamente R$35,00).

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La Chascona: Uma das três casas do poeta Pablo Neruda. Reserve em torno de uma hora e meia para apreciá-la em todos seus detalhes e sentir a poesia do lugar.

Á noite, exaustos de tanto andar,  jantamos no Baco Vino y Bistro, que fica a poucos quarteirões do hotel. Muito bem recomendado pelo TripAdvisor, é realmente tudo o  que dizem: ótima e variada comida, excelentes vinhos e ambiente aconchegante. Recomendamos reservar com antecedência.

 
DICAS SOBRE O  PRIMEIRO DIA:

  1. Deixe para fazer o câmbio em Santiago. As cotações favorecem a compra de Pesos Chilenos por Reais. É considerável a diferença em relação à compra feita no Brasil. Leve apenas uma pequena quantidade de Peso Chileno para seus primeiros gastos, como transporte e comida até conseguir passar em uma casa de câmbio. Há várias delas na Rua Agustinas, que fica próximo ao Palácio de La Moneda portanto, programe-se para que seu primeiro passeio por Santiago inclua essa região.
  2. Caso seja sua primeira visita a Santiago e você não tenha muitos dias disponíveis, priorize conhecer os pontos turísticos mais visitados como o Cerro San Cristobal, no lugar do Cerro Santa Lucia e Palácio de La Moneda, ao invés do Mercado Central.
  3. Vá ao Mercado Central somente se você gostar desse tipo de passeio ou tiver algo específico que queira comer ou conhecer. Como adoramos conhecer mercados locais, incluímos no nosso roteiro dessa segunda visita a Santiago.
  4. Não faça o trajeto Mercado Central / Patio BellaVista à pé como fizemos. Quando analisamos  o percurso e vimos  que eram apenas 2.8 km, concluímos que seria uma oportunidade agradável  para ir conhecendo a cidade. Porém, no caminho mais rápido indicado pelo Google Maps  não havia nada de interessante, muito pelo contrário: trânsito caótico, avenidas um pouco sujas, muitos vendedores ambulantes e nada mais. Chegamos já bem cansados no Patio Bellavista. Então, pegue um táxi: você economizará energia para aproveitar mais seu passeio!
  5. Assista ao filme O Carteiro e o Poeta (1994)  ou leia algo sobre a vida Pablo Neruda antes de sua viagem ao Chile, principalmente se pretende incluir as casas dele em seu roteiro ( La Chascona em Santiago, La Sebastiana, em Valparaíso e Isla Negra, em El Quisco). Pode ter certeza que você fará essas visitas com outros olhos. Para maiores detalhes como horários de visitas e valores,  consulte Fundación Pablo Neruda.

Nos próximos posts contaremos sobre os demais dias dessa interessante viagem!

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